JÁ OUVIU FALAR DA HOMOCISTEÍNA? pela sua importância reserve uns minutos
Dada a sua importância para a sua saúde, reserve alguns minutos para se informar.
Apliquemos boas práticas para obter conhecimento com eficácia. Acima de tudo, o que é a homocisteína?
Faça uma pesquisa rápida no google; a sua IA é bastante precisa e lhe dará um breve resumo: “A homocisteína é um aminoácido presente no organismo, produzido durante o metabolismo da metionina, um aminoácido essencial obtido pela alimentação. Níveis elevados de homocisteína no sangue podem ser um fator de risco para doenças cardiovasculares, pois podem danificar as paredes das artérias e aumentar a probabilidade de formação de coágulos.”
Se pensarmos que a primeira causa de morte a nível mundial são as doenças cardiovasculares (ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e trombose) percebemos ao primeiro golpe de vista a enorme importância da tal homocisteína. “A doença cardíaca permanece a principal causa de morte em todo o mundo nos últimos 20 anos. No entanto, agora está matando mais pessoas do que nunca. O número de mortes por doenças cardíacas aumentou em mais de 2 milhões desde o ano 2000 para quase 9 milhões em 2019.” – 9 Dez 2020, Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde. Uma verdadeira calamidade.
Qual é a função da homocisteína no organismo?
Desempenha algumas funções importantes nos seus níveis normais:
a produção de proteínas
o funcionamento do sistema nervoso.
Quando acima do normal dá alguns problemas sérios.
A American Society for Nutrition (ASN) (Sociedade Americana para a Nutrição), da qual sou Member Scientist com cédula 30777, recentemente publicou um trabalho de investigação extenso sobre 135 meta-análises observacionais, 106 estudos de randomização mendeliana (RM) e 26 meta-análises intervencionistas. Não se preocupe por esses nomes, apenas quero salientar a relevância deste estudo como um dos mais importantes realizado nos últimos anos sobre a homocisteína.
Este estudo é uma revisão abrangente que avaliou sistematicamente a credibilidade e certeza das evidências sobre as associações entre os níveis de homocisteína (Hcy) e diversas condições de saúde, bem como os efeitos de terapias para a redução da Hcy.
Houve evidências de Classe II (altamente sugestiva) da homocisteína em relação com:
colite ulcerativa
síndrome de Behçet
artrite reumatoide
esquizofrenia
síndrome dos ovários policísticos
doença de pequenos vasos cerebrais
doença arterial periférica
doença renal crônica
primeiro acidente vascular cerebral
e mortalidade por todas as causas.
Demasiados problemas de saúde para uma palavra tão pequena, homocisteína. Ainda, Causalidade Reversa pode explicar algumas associações, como com a doença de Alzheimer; o estudo mostrou evidência altamente sugestiva da relação com o Alzheimer.
A evidência mais forte está em Homocisteína e Acidente Vascular Cerebral (AVC). As evidências sugerem que a homocisteína é um fator de risco causal chave para AVC, e o tratamento de redução de homocisteína confere benefícios a longo prazo na prevenção. Este estudo também confirmou evidências mais fortes para o efeito causal da Homocisteína no AVC do que em outras doenças cardiovasculares. Então não deveria a homocisteína fazer parte habitual da analítica sanguínea de rotina? Pois é…
Também níveis elevados de Homocisteína são observados em condições fisiológicas como doença renal crônica e sensibilidade prejudicada a hormônios tireoidianos.
Uma evidência "convincente" em estudos observacionais na associação positiva para o CCR (câncer colorretal). Os investigadores propuseram alguns mecanismos de relação: as células cancerosas dependem do ciclo da metionina (produzindo Homocisteína), deficiência de folato (ácido fólico = vitamina B9) (elevando a Homocisteína), potencial causalidade reversa. E que a Colite ulcerativa ligada à Homocisteína aumenta o risco de câncer colorectal).
Se considerarmos que o câncer colorretal é a segunda principal causa de mortes por câncer no mundo, não é este assunto da homocisteína uma preocupação de primeira magnitude? E não é que o estudo pôs de relevância que a suplementação de ácido fólico (vitamina B9) reduz o câncer colorretal.
Esta investigação teve implicações clínicas no potencial terapêutico do ácido fólico (vitamina B9) no tratamento da Homocisteína elevada. Tem grande potencial para melhorar a saúde, dada a gama de associações positivas robustas.
Foi considerada a Homocisteína como Biomarcador para o câncer colorretal, e ainda um biomarcador de deficiência de folato.
Bem, o estudo é longo, cheio de referências chatas adequadas ao gosto dos cientistas malucos, mas, aqui nos interessa a papa feita, isto é, um par de coisas concretas que nos sejam de utilidade no dia a dia.
Fiquemos então com a ideia:
homocisteína elevada,
problemas cardiovasculares, especialmente risco de AVC elevado,
câncer colorretal (que não pára de aumentar, especialmente nos países mais desenvolvidos e nos jovens – um aumento de mais de 20% – o raio das comidas rápidas com escassos nutrientes e muita porcaria),
e ácido fólico (vitamina B9) que mantém estável o nível de homocisteína.
Espero ter ajudado com estas dicas. Este texto é meramente informativo. Sempre consulte o seu médico de familia e expunha a suas dúvidas sem temor; o seu médico de família é o seu parceiro de confiança.
Fonte-autores: Homocisteína e múltiplos desfechos de saúde: uma revisão abrangente de meta-análisese estudos de randomização mendeliana - Zhou, Futao et al. Avanços em Nutrição, Volume 16, Edição 6, 100434 - DOI: 10.1016/j.advnut.2025.100434
https://advances.nutrition.org/article/S2161-8313(25)00070-5/fulltext?dgcid=raven_jbs_etoc_email - American Society for Nutrition (ASN)
Comentários
Enviar um comentário