Quando os estudos farmacológicos entram em conflito, como saber quais os medicamentos certos?
Como podem os médicos avaliar os resultados de dois ensaios clínicos conflitantes e fazer uma escolha informada sobre como essas descobertas deveriam influenciar o tratamento dos seus pacientes?
Informações ou orientações conflitantes sobre os tratamentos utilizados pelos pacientes não são incomuns. Ellen Caniglia, ScD , professora assistente de Epidemiologia da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia (USA) afirma: “Os médicos e os decisores políticos precisam de ferramentas fáceis de utilizar para compreender porque é que estudos aparentemente idênticos podem produzir resultados contraditórios”.
Uma nova via para resolver estes conflitos está a ser estudada, a Inteligência Artificial. Esta professora e investigadora da Universidade da Pensilvânia acredita que “com uma ferramenta como essa (IA), podemos ter muito mais confiança no que está sendo recomendado e ajudar os pacientes a tomar decisões informadas, bem como identificar aqueles que podem se beneficiar ou ser prejudicados por um tratamento que está sendo considerado.”
Há muitos casos nessa categoria. Um deles, entre muitos outros, é o aducanumabe, que tem sido usado na doença de Alzheimer com a idéia de atingir o acúmulo de placas no cérebro. Recebeu aprovação acelerada da FDA em 2021 e foi envolvido em controvérsia , tanto nos resultados dos ensaios como sobre os mecanismos e processos que rodeiam essa aprovação . Entretanto, foi descontinuado pelo seu fabricante.
Um caso de estudos conflitantes o 'caproato de 17-alfa-hidroxiprogesterona (17P)' para uma suposta proteção de parto prematuro. Uma injeção semanal, 17P, foi recomendada para gestantes que já tiveram parto prematuro, para evitá-lo na gravidez atual. Um estudo de 2003 descobriu que o 17P conferia proteção significativa contra o parto prematuro, mas um segundo estudo publicado em 2019 não encontrou nenhum efeito.
Que danos ou benefícios podem causar este tipo de situação no paciente? A Universidade de Pensilvânia esta agora empenhada numa disciplina de investigação para dar uma solução satisfatória a esta classes de incongruências na medicina. Caniglia e sua equipe receberão US$ 1 milhão distribuídos em três anos de trabalho para “abordar lacunas metodológicas importantes e levar a melhorias na força e qualidade das evidências” utilizadas na investigação para gerar melhores resultados para os pacientes.
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Dr. Amandio Galvão
credenciado PA (Physician Assistant) pela AAPA com cédula 110801267
fonte:
AAPA - American Academy of Physician Assistants,
Penn Medicine News, Universidade da Pensilvânia
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